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O Brasil em cem discos
Uma seleção, do patrimônio ao futurista
Nenhum país no mundo é tão identificado por seu universo musical, mais do que por qualquer outra coisa. Aliás, um país que tem como ministro da Cultura um astro da canção (Gilberto Gil) merece respeito. Na França, a música (brasileira) está no espírito (da época). Isso não é de ontem. Deixemos de lado os malentendidos que foram os dois megassucessos do tipo pseudobrasil,
o “maxixe” nos anos 1900, depois a “lambada” no início dos anos noventa. Aliás, o Brasil nunca emplacou verdadeiramente um hit na França. As melodias de lá são familiares aos ouvidos hexagonais. Pegue Tom Jobim, o arquiteto da bossa nova, e apenas com as primeiras notas você vai dizer “ah, sim, conheço essa… ah ! mas essa também…”. Riqueza exuberante.
Na França se conhece os fundamentais, bossa nova, samba e… salsa. Mas não! A salsa é Cuba, nada a ver, a não ser que o Brasil e Cuba, tanto um quanto outro, eram dois terminais da rota de escravos, que a senteria cubana é prima do candomblé de Salvador da Bahia. E justamente, aí está, só o estado da Bahia tem exatamente a superfície do nosso país. Então, num país tão grande quanto… dezessete vezes a França, há tantas tradições, práticas e fusões musicais! Porque ainda por cima o Brasil é uma terra culturalmente antropófaga, que assimila e dá uma nova cara ao que vem de fora, rock, hip hop, jazz, etc., para mixá-lo com seus ingredientes “bem Brasil”.
Esse campo ao mesmo tempo singular e plural, nós vamos quartejar em cem discos, e até um pouco mais. Seção fora do assunto, eliminei o mais banal (o rock local) e o mais etno (a tradição). Pierre Léglise-Costa assumiu a parte erudita (o clássico…). Para escolher, foi ao mesmo tempo fácil e de partir o coração. Outros fatores externos ajudaram a decidir. Primeiro, um só disco por artista; e depois, a necessidade de poder encontrá-los no mercado francês. A respeito disso, as indicações sobre as distribuidoras nem sempre são confiáveis, às vezes a coisa muda bem rápido.
Eis, portanto, um percurso onde os artistas incunábulos e seus álbuns do patrimônio ladeiam os jovens rebentos e suas novidades audaciosas. E tudo isso nos dá uma discoteca ideal que vou tocar para vocês com o entusiasmo de um apaixonado.
Rémy Kolpa Kopoul et Pierre Léglise-Costa
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