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France-Brésil / Filmografia
 

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Filmografia brasilieira


A brimos também um espaço à parte para a música (ver mais adiante) e para o cinema. O primeiro filme brasileiro conhecido na França foi O Cangaceiro, de Lima Barreto (1953), e sobretudo graças à canção do filme. Mas para o grande público, o Brasil é antes de mais nada o de Orfeu Negro, do francês Marcel Camus, Palma de ouro em Cannes em 1959. A música de Vinícius de Moraes fez, então, a volta ao mundo. Será preciso esperar a “tríade gloriosa” do ano de 1963 para que a França descubra um outro Brasil, um Brasil em preto e branco, da miséria, da vida dura, das superstições e das estruturas profundas do nordeste, com os filmes de Glauber Rocha, Ruy Guerra e Nelson Pereira dos Santos, que serão a verdadeira revelação do festival de Cannes à época. Para reverenciá-los, a crítica francesa vai criar a designação cinema novo, que permanecerá. Logo depois, são principalmente a obra e a personalidade de Glauber Rocha que se destacam. Wim Wenders vai aureolá-lo em seu filme O Estado das Coisas (1982). Nos anos 1980, o cinema brasileiro passa por uma espécie de travessia do deserto, acentuada pela situação política interna. Durante esse período, no entanto, desenvolve-se uma nova geração: a de Carlos Diegues, Hector Babenco ou Leon Hirszman. A importância da televisão, quase onipresente no país, diminui consideravelmente o alcance do cinema. Mas a produção, sobretudo em São Paulo, continua viva. Após a extinção pura e simples em 1990, sob o governo Collor, da Embrafilme, estrutura que regulava todo o sistema da produção cinematográfica até então, o cinema brasileiro conhece um lapso do qual precisará vários anos para se recuperar. Será necessário esperar a eleição de Fernando Henrique Cardoso à presidência para que o governo brasileiro restabeleça seu suporte ao cinema nacional. O governo do presidente Lula, por sua vez, zela pelo desenvolvimento dessa arte que considera de importância maior ao desenvolver o sistema de auxílio à produção. Nesse meio tempo surgiu uma terceira geração de cineastas. Mas, exceto os de Walter Salles, os filmes penam para serem bem distribuídos na França. Nossa escolha filmográfica recai sobre os filmes projetados nas telas francesas, difundidos em circuito comercial ou mesmo somente programados à ocasião dos festivais (Cannes, Biarritz, Toulouse, Jangada em Paris), esses últimos desempenhando um papel importante para sua descoberta. Uma segunda seleção estaria por ser feita com todos os outros filmes que gostaríamos de ver na Europa mas que ainda não gozam de uma distribuição e que por vezes oferecem a visão de um novo rosto do Brasil.

Pierre Léglise-Costa

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